sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Barulhos da tormenta

 Às vezes olho para fora e me pergunto: por que estamos tão vulneráveis?
Não penso na vulnerabilidade de uma pessoa ou de uma história em particular. Penso em nós. Nas pessoas que encontramos todos os dias, nas conversas que ouvimos, nos medos que se repetem e nessa sensação de que alguma coisa, aos poucos, está mudando.
Sempre tivemos dificuldades.
A vida nunca foi um lugar de certezas. Houve perdas, guerras particulares, portas fechadas, despedidas, problemas que pareciam grandes demais e momentos em que não sabíamos sequer por onde continuar.
Ainda assim, havia alguma coisa.
Mesmo em meio às nossas tormentas diarias, conseguíamos imaginar a vitória.
Não porque soubéssemos que venceríamos. Não porque alguém tivesse nos prometido um final feliz. Mas porque existia dentro de nós uma voz que parecia enxergar um pouco além daquele momento.
Uma voz estranha e familiar.
Sabemos que ela é nossa, mas às vezes parece falar em outro tom.
É aquela que aparece quando pensamos que não conseguiremos e, baixinho, pergunta: “E se você tentar mais uma vez?”
Nem sempre queremos ouvi-la.
Há dias em que estamos cansados demais. Há momentos em que o medo parece muito mais convincente. Ainda assim, ela permanece ali.
Talvez alguns a chamem de esperança. Outros, de fé. Outros, de consciência, força, instinto ou vontade de viver.
O nome pouco importa.
Importa aquilo que ela faz conosco.
É para esse lugar dentro de mim que muitas vezes entrego aquilo que não consigo resolver. Meus medos, minhas dúvidas, minhas dificuldades. Não esperando que desapareçam, mas desejando que possam se transformar em alguma coisa que eu consiga carregar de outra maneira.
E talvez seja justamente por conhecer essa voz que algo me inquieta quando observo o mundo.
Tenho a sensação de que estamos deixando de escutá-la.
Não necessariamente porque ela tenha desaparecido.
Talvez seja porque o lado de fora ficou barulhento demais.
São tantos ruídos, tantas cobranças, tantas urgências, comparações, notícias, dificuldades e medos falando ao mesmo tempo que corremos o risco de acreditar apenas naquilo que grita.
E a esperança quase nunca grita.
Talvez por isso estejamos tão vulneráveis.
Não apenas porque nossas dificuldades sejam grandes, mas porque elas ocupam tanto espaço que começam a nos fazer esquecer de tudo aquilo que já atravessamos.
Esquecemos das outras guerras.
Esquecemos das vezes em que pensamos que não conseguiríamos e conseguimos.
Esquecemos que já houve noites que pareciam intermináveis e, mesmo assim, amanheceu.
Existe uma certa melancolia em perceber isso.
Uma espécie de saudade de quando acreditar no amanhã parecia mais natural.
Não de um passado perfeito — porque ele nunca existiu.
Talvez seja saudade de um jeito de olhar para a vida.
De quando, mesmo cercados de incertezas, ainda conseguíamos imaginar possibilidades. De quando uma dificuldade era uma parte da história e não necessariamente o fim dela.
Talvez as pessoas não tenham perdido a esperança.
Talvez estejam apenas cansadas demais para escutá-la.
E é justamente aí que mora minha inquietação.
Porque o maior perigo dos tempos difíceis talvez não esteja somente naquilo que eles podem nos tirar.
Está no momento em que fazem tanto barulho que já não conseguimos ouvir aquilo que ainda não conseguiram tirar de nós.
Aquela pequena voz.
A mesma que não promete vitória.
Não garante felicidade.
Não diz que amanhã tudo estará resolvido.
Talvez ela apenas esteja falando mais baixo.
Ela apenas continua ali.
Lembrando que existe um amanhã.
E talvez seja essa uma das nossas eternas buscas: aprender, em meio a tantos ruídos, a reconhecer novamente a nossa própria voz.
Porque enquanto ainda formos capazes de ouvi-la dizer “continue”, a esperança não esteja perdida.

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domingo, 27 de setembro de 2026

Dor da perda

Existem perdas que parecem levar muito mais do que uma pessoa.
Levam um pouco da cor dos dias, do sabor das coisas, da vontade de fazer planos. 
De repente, aquilo que fazia parte da rotina deixa de estar ali e a vida, mesmo continuando, parece não saber muito bem para onde ir.
E então ela se vai.
Fica o silêncio.
Ficam os lugares.
Ficam os hábitos que já não fazem sentido.
E fica uma saudade tão nossa, tão dentro da gente, que por algum tempo podemos acreditar que ninguém é capaz de sentir aquela ausência como nós sentimos.
Talvez ninguém sinta mesmo.
Pelo menos, não da mesma maneira.
Mas isso não significa que estejamos sozinhos.
Às vezes é preciso que alguém nos faça enxergar isso.
“Você acha que só você perdeu?”
Pode doer ouvir.
Mas também pode abrir uma pequena janela no meio de uma dor que estava ocupando tudo.
Porque aquela pessoa que foi embora não existia somente na nossa história.
Enquanto alguém perdeu uma mãe, outro perdeu uma avó.
Alguém perdeu uma irmã.
Uma amiga.
Uma companhia.
Uma pessoa com quem dividia lembranças que talvez nem conheçamos.
E foi aí que nasceu uma reflexão que vale guardar:
não existe uma régua para medir saudade.
Aquilo que para uma pessoa é uma dor quase insuportável pode ser, para outra, uma ausência mais silenciosa.
E está tudo ali.
Cada um sentindo na grandeza do seu próprio sentimento.
Uns mais.
Outros menos.
Uns choram.
Outros quase nunca falam.
Alguns guardam fotografias.
Outros lembram de uma frase, de uma comida, de um cheiro, de uma implicância, de um costume qualquer.
Mas sentem.
Talvez uma das coisas mais difíceis da saudade seja justamente essa sensação de solidão. 
A impressão de que aquela falta pertence somente a nós.
Só que, às vezes, enquanto estamos chorando a nossa ausência em um canto, existe outro coração, em algum lugar, sentindo falta da mesma pessoa de um jeito completamente diferente.
Perceber isso não divide a dor.
Também não a diminui.
Talvez apenas nos faça companhia.
Porque quem parte deixa vazios diferentes em pessoas diferentes.
E quando a saudade disser que estamos sozinhos, talvez seja bom lembrar: a pessoa que faz falta em nosso coração pode também estar fazendo falta o coração de alguém.
Não do mesmo tamanho.
Não do mesmo jeito.
Mas na grandeza que aquela história teve para cada um. 
Talvez seja porque construímos tanto da nossa vida ao redor de alguém que nunca pensamos seriamente em como seria viver sem aquela presença.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Eterna Busca

 


O que nos faz acordar todos os dias?

O que nos faz seguir, mesmo quando nossos dias se repartem em tantas situações e nem todas elas são boas? Mesmo quando a vida pesa, quando o caminho cansa e quando, por alguns instantes, parece difícil encontrar motivos?

Ainda assim, lá estou eu.

O tempo passa e, com ele, vamos descobrindo que viver, apesar de difícil e necessário, também pode ser extraordinariamente bom.

Ouvi de alguém, há algum tempo, uma frase que nunca esqueci:

“Mesmo carregando pedras pesadas todos os dias, ainda prefiro viver a desistir da vida.”

E talvez seja exatamente isso.

Ser ou não ser. Estar feliz ou não. Ter certezas ou atravessar dias cheios de dúvidas. Falo por mim: estou disposta a continuar a minha eterna busca.

Busca pela felicidade.
Pela realização.
E, principalmente, pelo encontro comigo mesma.

Para não desistir, coloco sonhos pelo caminho. Crio expectativas, estabeleço metas, derrubo muros. Descubro novos sabores, enfrento meus medos e aprendo, pouco a pouco, a conviver com minhas angústias.

Porque, no fim de um dia difícil, ainda existe algo maravilhoso: dormir.

E depois acordar.

Abrir os olhos e perceber que ganhei mais um dia.

E, quando desperto, encontro aquela que parece caminhar sempre alguns passos à minha frente. Às vezes quase não consigo alcançá-la, mas ela continua ali, esperando por mim:

a divina e maravilhosa esperança.

Enquanto houver um coração batendo em meu peito, ar entrando em meus pulmões e movimento neste meu querido corpo, haverá dentro de mim uma palavra que nenhuma dificuldade será capaz de apagar.

VIVA.

Viva enquanto puder.
Viva enquanto sonhar.
Viva enquanto houver caminhos para descobrir e muros para derrubar.

E, quando parecer que não há mais nada a procurar, procure novamente dentro de si.

Porque talvez a nossa eterna busca não seja apenas encontrar a felicidade.

Talvez seja descobrir, todos os dias, novos motivos para continuar vivendo.

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sábado, 12 de setembro de 2026

Bastidores

Talvez uma das maiores mentiras que eu conte para mim mesma seja dizer que sou forte o tempo todo.

Que tenho tudo sob controle.

Que meus medos não me atravessam.

Que sei exatamente para onde estou indo.

Mas a verdade é outra.

Cada dia é um dia, e o que acontece nos bastidores da nossa vida não são simples detalhes. São batalhas silenciosas que ninguém vê. São dúvidas, cansaços, medos e aquela vontade de parar que, às vezes, aparece justamente quando mais precisamos continuar.

Por isso, hoje entendo que seguir em frente não é apenas uma questão de força. É determinação, foco e continuidade.

Fala-se muito em motivação, mas descobri que ela não sabe trabalhar sozinha. A motivação precisa do velho e bom comprometimento e da sua grande companheira: a responsabilidade.

Porque nem todos os dias estaremos motivados. Nem todos os dias acordaremos acreditando que podemos conquistar o mundo.

Mas ainda assim podemos dar mais um passo.

Talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira força: não em ter tudo dominado, mas em continuar mesmo quando ainda existem dúvidas, medos e dificuldades pelo caminho.

Universo, eu te agradeço por me permitir ser, aprender, cair, levantar e ir um pouco além todos os dias.

E se hoje eu não conseguir ir tão longe, tudo bem.

Só não quero deixar de ir.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Amor ou Dor

 

Quando foi que confundimos amor com dor?

Às vezes me pergunto: é necessário amar com tanta dor?

É preciso sentir-se preso, oprimido, com medo, sem chão?

É possível que amar seja sentir uma falta que parece maior do que a própria fome, maior do que uma noite sem dormir, maior até do que algumas dores que o corpo consegue suportar?

Foi isso que aprendemos a chamar de amor?

Quando amar passa a significar precisar do aval do outro para existir, sentir medo de perder, sofrer pela ausência, precisar ter por perto aquilo que desejamos... onde termina o amor e começa a dependência?

E quando alguém não sabe lidar com a possibilidade de perder, transforma a própria dor em necessidade de controlar?

Quer dominar pela força.
Quer prender pelo medo.
Quer controlar pela culpa.
Quer transformar a ausência em ameaça.

Mas quem disse que isso é amor?

Quem colocou esse nome em sentimentos que provocam medo, travamento, opressão e, muitas vezes, até repulsa?

Talvez tenhamos confundido amor com posse.
Cuidado com controle.
Presença com vigilância.
Proteção com prisão.
Necessidade com afeto.

Porque, se penso no amor como algo que realmente faz bem, imagino outra coisa.

Amar deveria também ser proteger sem aprisionar.
Cuidar sem controlar.
Ouvir sem silenciar.
Estar presente sem sufocar.
Doar sem exigir que o outro deixe de ser quem é.

Amar deveria permitir que o outro respirasse.

E talvez seja justamente aí que esteja a pergunta que ainda estou tentando responder:

quando o amor deixa de ser liberdade compartilhada e passa a ser uma forma de domínio?

Talvez nem toda dor seja prova de amor.

Talvez algumas dores sejam justamente o sinal de que precisamos olhar com mais coragem para aquilo que estamos chamando de amor.

E talvez amar também seja aprender a dizer:

“Eu quero você perto, mas não quero possuir você.
Eu cuido de você, mas não decido por você.
Eu sinto sua falta, mas não preciso aprisioná-lo para suportá-la.
Eu amo você e, justamente por isso, quero que você seja livre.”

Porque talvez o amor verdadeiro não seja aquele que nos tira o chão. Talvez seja aquele que, mesmo quando o mundo parece desabar, nos ensina a permanecer de pé.

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sábado, 22 de agosto de 2026

Seguir em frente



 

Cada vez que paro para refletir, sou levado ao passado, relembrando tudo que já fiz e aquilo que deixei de fazer. Pessoas que passaram pela minha vida surgem na mente, e logo percebo como o tempo voa e quantas lições a vida nos oferece. Só tem história quem viveu, e por isso, sou grato – por cada pedaço da minha trajetória, por cada fase de crescimento. Aos poucos, compreendo que o que define nossa caminhada são as escolhas que fazemos. A vida é um mosaico de escolhas, e mesmo quando o coração aperta, dói e parece desmoronar, às vezes é necessário optar. Deixar para trás aqueles que nos protegem e nos confortam é parte do processo para seguir em frente e perseguir o próprio destino.

O crescimento, assim como a própria vida, é marcado por mudanças. Para evoluir, é preciso romper com a zona de conforto e seguir adiante, muitas vezes sozinha, sem a influência de ninguém, apenas com a bagagem de quem você se tornou. Enquanto estamos vivos, a busca incessante por novas descobertas é o que nos impulsiona. Não somos árvores com raízes fixas no mesmo solo; precisamos avançar, nos testar, nos aventurar para descobrir o sabor da verdadeira vitória interior. Nossas raízes são a nossa família, os laços sanguíneos e a nossa ancestralidade. E a cada etapa conquistada, a consistência nos prepara para um novo ciclo, um novo caminho. Vamos em frente pelos caminhos incertos da vida, com a certeza de que tudo é possível, pois jamais estou só.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Na Verdade

 Estou vivendo um momento diferente da minha história.

Hoje consigo enxergar algumas coisas com uma clareza que talvez antes não tivesse. Talvez seja isso que chamamos de maturidade: não necessariamente ter todas as respostas, mas aprender a fazer perguntas diferentes.

Com o tempo, chegam a paciência, a aceitação e a compreensão de que nem tudo precisa ser resolvido imediatamente. Aprendemos a reconhecer o que realmente importa, o que merece nossa energia e, principalmente, aquilo que precisamos simplesmente deixar seguir.

Não é medo. É aprendizado.

É entender que a vida nem sempre acontece da maneira que imaginamos, mas ainda assim pode nos surpreender com caminhos que jamais teríamos escolhido sozinhos.

Não sei exatamente como será daqui para frente. E, pela primeira vez, talvez eu não precise saber.

Quero apenas continuar caminhando com o coração aberto, preservando o amor pela minha família, acolhendo tudo aquilo que ainda tenho para aprender e, quem sabe, compartilhando um pouco do que a vida me ensinou.

Porque talvez amadurecer seja justamente isso: perceber que ainda temos muito a aprender, mesmo depois de termos aprendido tanto.

E seguir.

Com menos pressa, mais presença e a certeza de que ainda existe muito amor, muita vida e muitas histórias esperando para acontecer.

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domingo, 16 de agosto de 2026

Medos e insônia


Acordo no meio da noite pensando: Como vai ser? Como vou conseguir? Como vou proceder? Por que está tão difícil?

Talvez a dificuldade sempre exista. Talvez as respostas nem sempre venham na hora que eu preciso. Mas uma coisa eu sei: eu consigo!

Não posso esperar que tudo se resolva para então seguir. Preciso caminhar mesmo com medo, continuar mesmo sem certezas e dar o próximo passo, ainda que eu não enxergue o caminho inteiro.

Porque a vida não exige que eu tenha todas as respostas. Ela só pede que eu não desista de continuar.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Escolhas

Duas dimensões. Duas formas de enxergar a vida.
Muitas vezes, o que nos mostram parece ser a única escolha possível. Mas até onde vai a nossa vontade? Até onde vai a nossa liberdade?
Por que aceitar tudo como se existisse apenas um caminho?
Não!
Assim como na matemática, a vida também oferece diferentes caminhos. E, a qualquer momento, podemos mudar de direção e seguir por aquele que faz mais sentido para nós.
Abra os olhos para a realidade. Você não nasceu para viver preso às escolhas dos outros. Você pode ser quem quiser.
Só é preciso coragem para dar o primeiro passo.
E, quando a dúvida surgir, olhe ao seu redor. Lembre-se: você não está só. Sempre haverá alguém, uma oportunidade ou uma nova direção esperando por você.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Sem promessas

Talvez seja mais fácil assim! Olhar para trás para não cometer os mesmos erros, mas não para sofrer pelos erros cometidos.

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